
Depois de serví-lo...durante três anos, a minha mente não se atrevia a reflectir sobre o bem e o mal, os meus lábios não ousavam falar de ganhos e perdas. Então, pela primeira vez, o meu mestre dignou-se a olhar-me e isso foi tudo.
Após cinco anos, ocorreu uma mudança: a minha mente reflectia sobre o bem e o mal, e os meus lábios falavam sobre ganhos e perdas. Pela primeira vez, o meu mestre relaxou o seu semblante e sorriu. Após sete anos,outra mudança ocoreu. Deixava que a minha mente reflectisse sobre o que quisesse, porém já não se ocupava com o bem e o mal. Deixava os meus lábios falarem sobre o que quiserem, porém já não falavam sobre os ganhos e perdas. Então, finalmente o meu mestre convidou-me a sentar-me na esteira a seu lado. Após 9 anos, a minha mente deu rédea solta às suas reflexões, a minha boca deu passo livre ao seu discurso. Já não sabia nada acerca do bem e do mal, nem de ganhos nem de perdas, nem sobre mim ou sobre os demais... O exterior e o interior estavam fundidos numa unidade. Depois disto, não havia distinção entre o olho e orelha, orelha e nariz, nariz e boca: todos eram o mesmo. A minha mente estava gelada, o meu corpo dissolvia-se a minha carne e os meus ossos confundiam-se. Ignorava por completo em que se apoiava o meu corpo ou o que havia debaixo dos meus pés. O vento levou-me de um lado para o outro, como se fosse palha seca ou folhas que caiem de uma árvore. Na verdade, ignorava se eu cavalgava o vento ou se o vento cavalgava em mim.
Lieh Tse

Sem comentários:
Enviar um comentário